quinta-feira, 10 de maio de 2012

Paraguaios em São Paulo(*)



Em 2012, ano em que o Paraguai faz 201 anos de independência, uma ferida sangra neste povo lutador que sempre mostrou perseverança ao longo de sua história. Em maio a Nação guarani comemorou os 201 anos, com pouco mais da metade de sua população dentro do seu território para a festa da pátria. O Paraguai, que saiu de grandes guerras e ditaduras sangrentas, na atualidade se vê procurando retomar seu caminho. Mas, desta vez, com mais de dois milhões da população total de sete milhões de paraguaios fora do país. Destes, 65% são jovens entre 17 a 29 anos, que detêm a força trabalhadora nacional.

Grande parte dessa juventude sai do país à procura de uma oportunidade de emprego fora dele e é no Brasil que muitos nos aventuramos nos últimos anos, fazendo com que esse ingresso tenha aumentado em 56% no período que vai de 2008 a 2011. Na atualidade, a imprensa brasileira fala de migrante no campo têxtil, remetendo-se quase sempre aos “bolivianos”, mas desconhece o fato de que os paraguaios ocupam o segundo lugar no fluxo migratório desta área.

Nós paraguaios viemos carregados de sonhos e esperança de realizações, embarcando numa viagem de mais de 20h para chegar a São Paulo. Mas, com o passar do tempo, nos deparamos com uma realidade outra, com extensas horas de trabalho nas oficinas de costura nos bairros da capital paulista como o Bom Retiro, o Brás, a Casa Verde e o Jardim Brasil, sem deixar de lado a Vila Anny, de Guarulhos.

Estando aqui, temos um pensamento em particular: o de voltar à nossa pátria, com garantia de emprego digno. Sendo assim temos trabalhado através da Associação Japayke junto com o governo paraguaio vendo a possibilidade de repatriação para todos de maneira organizada, para assim voltar ao nosso país com a certeza de se ter a oportunidade de trabalhar por um futuro melhor lá. Este é um processo que se estabelecerá em longo prazo, mas que já começamos a traçar, com o objetivo de colhermos estas boas novas em um Paraguai que está apostando no retorno de seus filhos do atual exílio econômico.

*Léo Ramirez é paraguaio e vive em São Paulo há oito anos. É membro da Associação Japayke e estuda Relações Internacionais.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

“Todo dia é dia do Tereré”




Alguns dias atrás comecei a ver nas redes sociais um tal de “dia do tereré”. Fiquei surpreso com a informação, porque na minha concepção, todo dia é "dia do tereré". Descobri que o Dia Nacional do Tereré existe desde 2010 e é aprovado pelo Congresso Nacional Paraguaio. Esse dia é celebrado no último sábado do mês de fevereiro.


 Para quem não conhece, o tereré é uma bebida que consiste na mistura de água gelada com erva-mate. É altamente refrescante nos calorosos dias de verão que chegam a marcar 45 graus na terra guarani. Pela presença marcante, pode ser considerada a bebida oficial do país e, aonde quer que estejam os paraguaios, o tereré também estará presente.



 Como surgiu o Tereré?


  Segundo a sabedoria popular, durante a Guerra do Chaco (1932-1935) os soldados paraguaios bebiam o mate o ka’a y (mate, em guaraní) com água natural, para não fazer o fogo que poderia chamar a atenção do inimigo. Outros dizem que o tererê é de origem indígena, entre outras versões. O interessante é que, hoje em dia, o tereré é a bebida sinônimo de sabor de um país, de amizade, e se tornou parte da identidade dos Paraguaios em qualquer lugar do mundo.

 Comemoração


  Animado com minha descoberta, comecei a divulgar o "dia do tereré" e encontrei umaparaguaia, que estava de passagem pela cidade de São Paulo. Decidimos comemorar em grande estilo: chamei uns amigos do bairro onde moro e também onde a comunidade paraguaia é grande, o Bairro do Bom Retiro, e nos reunimos no Parque do Ibirapuera. Chovia torrencialmente. Apesar disso, tomamos tereré, conversamos sobre nosso país e sobre a situação da comunidade paraguaia pelo mundo afora.


  Antes dessa programação no Parque, fiquei curioso em saber se os paraguaios residentes em São Paulo sabiam desta data tão significativa da cultura paraguaia. Perguntei para as pessoas, que levavam o tereré em mãos, se elas sabiam que aquele era o "Dia do Tereré". Para minha surpresa, a resposta mais frequente que ouvi foi: "Todo dia é o dia do tereré!".


  "É nóis na praça..."      

         
A multiculturalidade de São Paulo vai além da calorosa recepção aos imigrantes. Hoje já podemos observar que a cultura de um país acompanha o seu povo, onde quer que ele esteja. Um exemplo desta aderência pode ser notada nos muros da praça conhecida como Areião, na Barra Funda. Ali, os grafites simbolizam a cultura paraguaia. O tereré está estampado nesse mural. Sem dúvida, trata-se de uma bela homenagem para este aniversariante!


Tereré o fiel companheiro aqui em São Paulo.











 * Léo Ramirez é paraguaio e vive em São Paulo há 8 anos. É membro da Associação Japayke e estuda Relações Internacionais.