segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Santayana: O referendum islandês e os silêncios da mídia



Os cidadãos da Islândia referendaram, ontem, com cerca de 70% dos votos, o texto básico de sua nova Constituição, redigido por 25 delegados, quase todos homens comuns, escolhidos pelo voto direto da população, incluindo a estatização de seus recursos naturais.

Por Mauro Santayana



A Islândia é um desses enigmas da História. Situada em uma área aquecida pela Corrente do Golfo, que serpenteia no Atlântico Norte, a ilha, de 103.000 qm2, só é ocupada em seu litoral. O interior, de montes elevados, com 200 vulcões em atividade, é inteiramente hostil – mas se trata de uma das mais antigas democracias do mundo, com seu parlamento (Althingi) funcionando há mais de mil anos. Mesmo sob a soberania da Noruega e da Dinamarca, até o fim do século 19, os islandeses sempre mantiveram confortável autonomia em seus assuntos internos.

Em 2003, sob a pressão neoliberal, a Islândia privatizou o seu sistema bancário, até então estatal. Como lhes conviesse, os grandes bancos norte-americanos e ingleses, que já operavam no mercado derivativo, na espiral das subprimes, transformaram Reykjavik em um grande centro financeiro internacional e uma das maiores vítimas do neoliberalismo. Com apenas 320.000 habitantes, a ilha se tornou um cômodo paraíso fiscal para os grandes bancos.

Instituições como o Lehman Brothers usavam o crédito internacional do país a fim de atrair investimentos europeus, sobretudo britânicos. Esse dinheiro era aplicado na ciranda financeira, comandada pelos bancos norte-americanos. A quebra do Lehman Brothers expôs a Islândia que assumiu, assim, dívida superior a dez vezes o seu produto interno bruto. O governo foi obrigado a reestatizar os seus três bancos, cujos executivos foram processados e alguns condenados à prisão.

A fim de fazer frente ao imenso débito, o governo decidiu que cada um dos islandeses – de todas as idades - pagaria 130 euros mensais durante 15 anos. O povo exigiu um referendum e, com 93% dos votos, decidiu não pagar dívida que era responsabilidade do sistema financeiro internacional, a partir de Wall Street e da City de Londres.

A dívida externa do país, construída pela irresponsabilidade dos bancos associados às maiores instituições financeiras mundiais, levou a nação à insolvência e os islandeses ao desespero. A crise se tornou política, com a decisão de seu povo de mudar tudo. Uma assembléia popular, reunida espontaneamente, decidiu eleger corpo constituinte de 25 cidadãos, que não tivessem qualquer atividade partidária, a fim de redigir a Carta Constitucional do país. Para candidatar-se ao corpo legislativo bastava a indicação de 30 pessoas. Houve 500 candidatos. Os escolhidos ouviram a população adulta, que se manifestou via internet, com sugestões para o texto. O governo encampou a iniciativa e oficializou a comissão, ao submeter o documento ao referendum realizado ontem.

Ao ser aprovado ontem, por mais de dois terços da população, o texto constitucional deverá ser ratificado pelo Parlamento.

Embora a Islândia seja uma nação pequena, distante da Europa e da América, e com a economia dependente dos mercados externos (exporta peixes, principalmente o bacalhau), seu exemplo pode servir aos outros povos, sufocados pela irracionalidade da ditadura financeira.

Durante estes poucos anos, nos quais os islandeses resistiram contra o acosso dos grandes bancos internacionais, os meios de comunicação internacional fizeram conveniente silêncio sobre o que vem ocorrendo em Reykjavik. É eloqüente sinal de que os islandeses podem estar abrindo caminho a uma pacífica revolução mundial dos povos.


Fonte: Portal Vermelho

Fidel Castro está agonizando

Bastou uma mensagem aos formandos do primeiro curso do Instituto de Ciências Médicas “Victoria de Girón”, para que o galinheiro da propaganda imperialista se alvoroçasse e as agências informativas se lançassem com infâmia voraz para as mentiras. Não só isso, mas em suas notícias adicionaram ao paciente as mais absurdas estupidezes.

Por Fidel Castro, no CubaDebate




O jornal ABC da Espanha publicou que um médico venezuelano radicado em ninguém sabe onde, revelou que Castro sofreu um derrame na artéria cerebral direita, “posso dizer que não voltaremos a vê-lo publicamente”. O suposto médico, que se é abandonaria primeiro seus próprios compatriotas, qualificou o estado de saúde de Castro como “muito perto do estado neurovegetal”.

Apesar de muitas pessoas no mundo serem enganadas pelos meios de comunicação de massa – quase todos em mãos dos privilegiados e ricos, que publicam estupidezes – os povos acreditam cada vez menos neles. Ninguém gosta de ser enganado; até o mais incorrigível mentiroso espera que lhe digam a verdade. Todo mundo acreditou, em abril de 1961, nas informações publicadas pelas agências de notícias, que os invasores mercenários de Girón ou Baía dos Porcos, como queiram chamar, estavam chegando a Havana, quando na realidade alguns deles tentavam chegar infrutiferamente em botes até os navios de guerra ianques que os escoltavam.

Os povos aprendem e a resistência cresce diante da crise capitalista que se repete cada vez com maior frequência; nenhuma mentira, repressão ou armas novas poderão impedir a queda de um sistema de produção crescentemente desigual e injusto.



Há alguns dias, perto do 50º aniversário da “Crise de outubro”, as agências indicaram três culpados; Kennedy, um recém-chegado à liderança do império, Khruchev e Castro. Cuba não tinha nada a ver com armas nucleares, nem com a matança desnecessária de Hiroshima e Nagasaki, perpetrada pelo presidente dos Estados Unidos, Harry S. Truman, que instituiu a tirania das armas nucleares. Cuba defendia seu direito à independência e à justiça social.

Quando aceitamos a ajuda soviética de armas, petróleo, alimentos e outros recursos, foi para nos defender dos planos ianques de invadir a nossa Pátria, submetida a uma suja e sangrenta guerra que este país capitalista nos impôs desde os primeiros meses, ao custo de milhares de vidas e mutilados cubanos.

Quando Khruchev propôs instalar mísseis de médio alcance semelhantes aos que os Estados Unidos tinham na Turquia – ainda mais perto da URSS que Cuba dos Estados Unidos – como uma necessidade solidária, Cuba não vacilou em aceitar tal risco. Nossa conduta foi eticamente irrepreensível. Nunca pediremos desculpa a ninguém pelo que fizemos. O certo é que transcorreu meio século e ainda continuamos de cabeça erguida.

Gosto de escrever e escrevo; gosto de estudar e estudo. Há muitas tarefas na área dos conhecimentos. Nunca as ciências, por exemplo, avançaram em tão surpreendente velocidade.

Deixei de publicar as Reflexões porque certamente não é meu papel ocupar as páginas da nossa imprensa, consagrada a outras tarefas de que o país precisa.

Aves de mau agouro! Não lembro sequer o que é uma dor de cabeça. Como evidência de quão mentirosos são, os presenteio com as fotos que acompanham este artigo.


Fidel Castro Ruz

Fonte: Cuba Debate
Tradução própria

sábado, 13 de outubro de 2012

Oportunidad, realidad y sueños en São Paulo*


A pesar de las turbulencias políticas que viene sufriendo el Paraguay, a la distancia continuamos nuestra vida cotidiana, de lucha, de perseverancia, de seguir soñando en volver, mas siempre con la preocupación de cual sea la situación del país, de la familia, de los amigos.



Lo que última mente me ha llamado mucho la atención de mis compatriotas, ha sido las cantidades de jóvenes que continúan llegando aquí en São Paulo, a buscar una oportunidad de trabajo. Trabajo este que no conseguimos en nuestro país, en nuestro “valle” como seria mas propicio llamarlo, mas llegando aquí uno se depara que puede hacer “lo que venga” y se termina en oficinas de costuras, trabajando hasta altas horas de la noche o cuidando criaturas que nunca pensábamos hacer.

Esta es una realidad que está mudando a pasos muy lentos, porque muchos comienzan a preguntarse, porque trabajar tanto si los brasileños trabajan menos y ganan mas? Es también una realidad que aumentaron los documentados, a través del acuerdo migratorio del MERCOSUR y una cantidad considerable pasó a trabajar como las leyes obligan aquí en Brasil. Pero todavía hay mucho que trillar.

Un asunto muy importante, que muchos ya me preguntaron y se habrán preguntado alguna vez aquí en este país es, porqué los bolivianos tienen tantos Grupos folclóricos? porque ellos tienen la plaza Kantuta? Porque los koreanos tienen tantos restaurantes? Ellos son mas organizados que nosotros verdad?

Eso há sido fundamental para tocar un tema que la mayoría de los paraguayos odiamos, que es la organización, porque trata de política. En su mayoría los paraguayos damos un paso atrás para evitar el tema “organización” especialmente porque es “política” y nadie quiere ser político, por el pasado reciente y la realidad vergonzosa que tenemos de los supuestos representantes del pueblo, "los políticos".

"Todos somos políticos"

Con esas preguntas hechas para si mismos, creo que muchos ya se dieron cuenta que la verdad todos somos políticos y el camino para tener una “Casa Paraguaya”, una plaza con identidad guaraní, es la organización y cuando sean parte de una organización, tendrán el momento de expresar sus ideas (política) para ayudar a sacar adelante la comunidad paraguaya en São Paulo, debatiendo los problemas y buscando una solución en conjunto.

Una conquista importante de los paraguayos en el exterior, fué la victoria del “SI” obtenida durante el referéndum del 09 de octubre de 2011, donde los paraguayos que residimos fuera también pasamos a ser “electores” para poder decidir el futuro del Paraguay, eligiendo personas comprometidas con el desarrollo del pais, con la mudança del art. 120 de la Constitución paraguaya através de una enmienda aprovada en referendúm.



Esta conquista no será posible ejercer por los paraguayos que vivimos en Brasil, por causa de irresponsables burócratas estatales, que pasan viviendo a costillas del estado, que no vieron en la ciudad de  São Paulo ninguna playa para turistear, para que sea tentadora la propuesta de venir a inscribirles a los compatriotas con miras a las elecciones de abril del 2013.

Es imposible de creer, pero los paraguayos continuamos a ser afectados por ese estado que nos debería de proteger y asegurarnos nuestro derecho, así como exigen que se cumpla la constitución.

Ojalá que después de leer estas líneas mas jóvenes se sumen a esta idea de “organización”  para conquistar mas sueños lejos de nuestra patria y así volver a creer que somos capaces de conseguir los proyectos que nos proponemos, destacándonos como alguna vez el Paraguay lo fue.

Sé que podemos y juntos seremos mas fuertes!

Añuá mbareté! Fuerte abrazo!

*Léo Ramirez paraguayo, migrante, excosturero y estudiante de Relaciones Internacionales. Miembro de la Asociación Japayke.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

"Temos que nos preparar para a guerra, para viver em paz" diz Ministra de Defesa do Paraguay


A ministra de defesa do Paraguai, Maria Liz Garcia quem é a nomeada pelo país mais democrático do mundo (EUA), nomeada a defender os interesses geopolíticos na região Sul-Americana, especificamente no Paraguai.

Garcia usa o mesmo discurso que seu pais de origem, quando se refere a democracia, liberdade de imprensa, direitos humanos e autodeterminação dos povos, que são os pilares do direito internacional público. Fica mas que transparente a verdadeira e real intenção desta mulher posicionada numa chave dentro de um governo usurpador, não é o bem estar do povo guarani, sua nação por opção, especialmente quando confessa "temos que nos preparar para a guerra, para viver em paz", querendo assim eludir a sanção imposta ao Paraguai pelo MERCOSUL e a UNASUL depois do golpe paramentar, desenhada no norte e perfeitamente aplicada pelo congresso conservador o dia 22 de junho.

Assim tiram do poder a Fernando Lugo, eleito democraticamente com voto popular em 2008, com mas de 80% de aprovação que também acabou com a hegemonia do Partido colorado que estava a mas de 60 anos no poder.

 A América Latina nunca teve um momento tão especial quanto na atualidade, percebemos no dia a dia e nos campos  acadêmicos, na mídia alternativa, que está em curso a construção de uma identidade para a segunda e verdadeira independência, que é, na pratica a construção e fortalecimento de blocos políticos, econômicos e  culturais por parte dos governos latino-americanos.

Esta senhora de formação acadêmica Washingtoniana indigna em seu discurso (ou entrevista) dada ao jornal (ABC Color) conservador por cultura e conveniência aos interesses forâneos, quando comenta a geopolítica como o Friedrich Ratzel, quando na verdade não passa de ser um pequeno mascote querendo agradar o dono com falsos latidos e assim incomodar a vizinhança.

Essa vizinhança que atravessa por seu melhor momento, como de fato a América Latina vem traçando seu próprio caminho para assim decidir seu destino e se desligar  dos projetos forâneos que a única coisa que causam é instabilidade política, econômica e miséria.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Bruno Peron: Cinismo migratório no Brasil


O fluxo migratório de trabalhadores entre Brasil e exterior é bidirecional. Farei, contudo, alguns comentários sobre aquele que se tem estabelecido na direção de fora para dentro. O país continua enviando migrantes (sobretudo estudantes e trabalhadores) ao exterior, embora em números menores e a destinos mais variados. A diferença, porém, é que o país tem recebido muito mais estrangeiros em busca de trabalho nos últimos anos.

Por Bruno Peron*

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou em julho de 2012 a informação de que, no intervalo de um ano, houve aumento de 25% na migração de trabalhadores ao Brasil. Em 2010 e 2011, o número de estrangeiros que receberam permissão para trabalhar no Brasil foi de, respectivamente, 56 mil e 70 mil. Nos anos imediatamente anteriores a 2010, o número de autorizações para trabalhadores imigrantes era pouco maior de 40 mil.

Dados da OIT indicam que a maior parte dos imigrantes (89,6%) é do sexo masculino e escolhe alguma cidade da região Sudeste (88,2%), principalmente Rio de Janeiro e São Paulo. Não entram nestas estatísticas os estrangeiros que trabalham ilegalmente no Brasil. A maior parte dos ilegais são mal remunerados e enfrentam jornadas longas de trabalho, por exemplo bolivianos na indústria têxtil em São Paulo, paraguaias como empregadas domésticas no Paraná, e haitianos que cruzam a fronteira amazônica sem saber quanto ganharão, se é que conseguirão emprego. A última notícia que chega dos migrantes do Haiti é que uma centena deles está numa pequena cidade peruana fronteiriça em busca de recursos para a sobrevivência, o que o governo peruano declarou como questão de Estado entre Peru e Brasil.

A crise financeira dos países outrora chamados "desenvolvidos" (portanto não é uma crise mundial, mas de países hoje decadentes) expele vários trabalhadores à América Latina. A Espanha tem 24% de desemprego. A Grécia está à beira do colapso e ameaça desligar-se da União Europeia. O Reino Unido finge que está tudo bem, mas solicita a James Bond para que entrem muitas libras com as Olimpíadas para aliviar o sufoco de sua economia. Os Estados Unidos estimulam guerras (Egito, Líbia, Síria) para que sua economia bélica não estanque.

O Brasil, enquanto isso, abre portas aos trabalhadores estrangeiros que, durante muito tempo, estiveram fechadas aos brasileiros que chegaram a seus países. Exigiram-nos vistos (taxas, filas nos consulados e entrevistas), impuseram-nos humilhações nas fronteiras (as maiores queixas vieram da Espanha), pagaram-nos os piores salários aproveitando-se da falta de documentos que autorizem o trabalho, não reconheceram nossos estudos (no Canadá, muitos doutores brasileiros só tiveram reconhecimento de seu nível de graduado ou mestre). E agora se dizem interessados no "crescimento" brasileiro. Um cinismo.

O processo migratório atual é bidirecional e contraditório. Os estrangeiros têm-nos procurado. Empregam-se por aqui porque por lá falta trabalho. Concomitantemente, há uma curiosidade crescente deles por nossa economia, gastronomia, música, etc., que até pouco tempo eram para eles atividades exóticas de um turismo de aventura, já que a "América" se resumiu – e ainda se resume – ao território dos Estados Unidos.

O governo brasileiro tem tomado uma atitude distinta da dos governos dos recém-chegados. É bem menos rígido. Dá-lhes a chance calorosa de entrar pela porta da frente e desfrutar dos mesmos direitos de um cidadão brasileiro. O Ministério do Trabalho aumenta os vistos de trabalho para que mais estrangeiros participem do "boom" brasileiro.

A genuinidade ou não do "boom" é tema para outro texto. Por ora, os dados da OIT de julho de 2012 nos informam sobre novas tendências no fluxo migratório. Uma de suas características é a resistência da nossa economia ao vento da crise apesar da oscilação da cotação do real frente a outras moedas e de suspeitas políticas de incentivo ao consumo (que enriquece empresas automobilísticas, mas endivida a iludida "classe média" brasileira).

Não só o fluxo migratório tem sido maior na direção do Brasil, mas também aumenta o interesse de estrangeiros no potencial de nossas classes consumidoras. Uma das consequências deste reflexo do "boom" é o aumento de investimentos em negócios que atuam dentro do país, mas que inibem o desenvolvimento de empreendimentos nacionais. Um país rico em cacau consome chocolates da Nestlé, uma empresa de capital suíço.

Em parte, o fluxo de imigração convida a interpretações capciosas porque muitos desses trabalhadores estrangeiros chegam para ocupar postos elevados em empresas transnacionais. Algumas delas têm sede no país do imigrante, como é o caso dos cargos mais altos da Hyundai, automobilística que se instalou recentemente no estado de São Paulo. É muito difícil que um brasileiro ocupe o lugar de um sul-coreano na direção da empresa.

Estrangeiros continuam sendo bem-vindos, mas as políticas públicas primeiramente devem assegurar bons níveis de educação e emprego aos brasileiros. Do contrário, o sonho de muitos de nós seguirá limitado a trabalhar numa montadora estrangeira (até que faça demissão em massa) ou aprender inglês como exigência para atender brasileiros no supermercado.

*Bacharel em Relações Internacionais (Unesp) e mestre em Estudos Latino-americanos (Unam-México). Colaborador do Portal Vermelho.

Ali Mohaghegh: O futuro do Oriente Médio




Com o início do movimento despertar islâmico na região do Oriente Médio, os Estados Unidos da América e os seus aliados na região, temendo as ondas crescentes de sentimentos antiamericanos e antissionistas, tentaram insinuar ao mundo uma interpretação falsa deste movimento.

Por Ali Mohaghegh, em Folha de S.Paulo



Não dá para esconder, porém, que os governos derrubados na região eram amigos dos Estados Unidos da América e do regime sionista.

O ataque à embaixada do regime sionista no Cairo nos primeiros momentos de protesto era um sinal do movimento popular. Era um sinal da desesperança com os EUA e com o regime sionista, que não queriam ser odiados pelos povos da região.

Sem dúvida, não haverá nenhum lugar na região para os sionistas no futuro. E o regime, que certa época pretendia dominar o território entre os rios Nilo e Eufrates, agora deve se esconder atrás do muro de proteção.

O regime sionista de Israel tem a maior rede mundial de terrorismo do Estado e cometeu inúmeros crimes nos países da região, inclusive a matança do povo de Gaza, os assassinatos de forças de resistência nos diferentes países e assassinatos dos cientistas nucleares da República Islâmica do Irã. Esse regime agora está tentando desviar a opinião pública de perceber o seu verdadeiro caráter perigoso.

Hoje, com as evoluções nos países do Oriente Médio e da África, os povos perceberam que são inúteis e frustrantes as negociações com um regime que só conseguiu ficar em pé respaldado pelo Ocidente.

Hoje, os apoiadores do regime sionista devem suportar um peso bem maior do que no passado para apoiar Israel, pois os povos da região entraram no cenário político e projetaram o futuro da região.

Ao mesmo tempo, divergências internas apareceram, e esse regime sionista se deparou com a instabilidade interna.

O Ocidente é obrigado a revisar a sua política de apoio unilateral e injusta ao regime sionista. Eles estão bem conscientes de que os levantes populares no Oriente Médio e no norte de África começaram graças ao despertar islâmico e têm um caráter antissionista. Esta região jamais refletirá a dominação sionista no futuro.

Atualmente, os movimentos resistentes frente ao sionismo, graças ao movimento despertar islâmico, alcançaram superioridade estratégica em relação aos sionistas.

Hoje, com o afastamento dos governantes ditadores em alguns países da região que estavam compactuados com o regime sionista, os povos da região dizem gritando que a instalação do regime sionista não tem legitimidade no território palestino, mesmo que seja no tamanho de uma palma da mão. Estamos tratando de um regime que desconsiderou mais de cem resoluções e declarações da ONU.

Mesmo os países ocidentais não estão mais dispostos a assumir incondicionalmente o peso de seus apoios ao regime sionista. Especialmente os países europeus, que têm a paciência esgotada perante a atitude reivindicadora, extremista e irracional de Israel. Pouco a pouco, ouvimos as pessoas perguntando no Ocidente: "até quando nós devemos pagar o preço da desobediência de Israel?"

Agora, chegou uma oportunidade histórica: os soberanos no mundo devem aproveitar e colocar a história na sua direção certa, tirar o invasor da cena e devolver a pátria aos palestinos.

É importante que todos os palestinos unidos resistam frente ao inimigo. Somente com a união e coesão nacional e seguindo o islã o povo palestino poderá libertar os seus territórios invadidos e recuperar os seus direitos.

A Palestina é ocupada por estrangeiros. Será que a humanidade fará silêncio perante a ocupação do território de um povo por eles?

*Ali Mohaghegh é primeiro-secretário da Embaixada da República Islâmica do Irã no Brasil

Emir Sader: O asilo de Assange; sinais dos tempo




A crise diplomática gerada pela aceitação do asilo de Julian Assange pelo Equador reflete as novas condições do mundo contemporâneo. Em primeiro lugar, porque as mídias alternativas conseguiram grande vitória sobre o segredo diplomático das grandes potências, logrando colocar à disposição da opinião pública mundial mais de 5 mil documentos até ali considerados secretos.

Por Emir Sader*, em seu blog

Em segundo lugar, porque ao tentar fazer recair sobre o principal responsável por essa divulgação, Julian Assange, o peso da repressão e da censura, se viram às voltas com a solidariedade do governo do Equador, dos governos latino-americanos e de várias outras forças da própria Europa. Não puderam evitar, apesar das bravatas do governo britânico, o asilo de Assange na Embaixada do Equador e ainda tem que sofrer a campanha de protestos pela sua atitude e a favor do salvo-conduto que Assange necessita para seguir para o Equador.

Em terceiro lugar, um país progressista latinoamericano não apenas peitou o governo britânico, como aparece como território de abrigo de alguém que passou a representar a liberdade de expressão no mundo, enquanto que a Grã Bretanha aparece como seu perseguidor.

Em quarto lugar, a Grã Bretanha, com a atitude do seu governo, já é e continuará sendo objeto de campanhas no seu próprio país e em vários outros países do mundo, pela liberdade de Assange e contra a atitude do governo britânico.

Ao tomar a atitude que toma, o governo da Grã Bretanha faz uma aposta muito perigosa: a de ter que suportar, por tanto tempo quanto pretenda retardar o salvo-conduto para Assange, campanhas mundiais contra sua posição e a favor de Assange.

Se juridicamente o governo britânico pode retardar por um tempo indefinido a saída de Assange da embaixada equatoriano na direção do país que lhe concedeu asilo, a questão será decidida pelo grau de desgaste que a Grã Bretanha está disposta a sofrer por essas campanhas. Ela pode sustá-las concedendo de imediato o salvo-conduto a Assange ou ter que finalmente concedê-lo, quando esse desgaste já tenha se dado por um tempo mais ou menos longo.

Seja qual for o desfecho da situação, a Grã Bretanha – e, com ela, os EUA - saem perdedores, enquanto o Equador, a América Latina e Assange, sairão vencedores. Porque representam a liberdade de expressão, as formas alternativas de mídia, a ruptura de mecanismos de de diplomacia secreta.

Sinais de que os tempos mudaram no mundo. E, neste caso, para melhor.


* Emir Sader é cientista político e professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). É secretário executivo do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (Clacso) e coordenador geral do Laboratório de Políticas Públicas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj)